domingo, 13 de junho de 2010

"Ah, meu deus! Ela nem tinha cara de ladra!"

Assisti a esse programa na sexta-feira última, e após o fim deste veio à minha mente a pergunta inevitável: se ela fosse preta, pobre e favelada, teria conseguido fazer tudo o que fez?

Gostei especialmente da parte em que a bandida diz com a maior desfaçatez do mundo o seguinte: "fiz tanto sucesso no crime porque a sociedade é muito preconceituosa". Afinal de contas, as pessoas sempre pensam que uma mulher branca, loira, cabelos esvoaçantes ao vento, olhos azul-piscina, corpinho de modelo, rostinho de boneca, culta, inteligente, filha de um alemão e de uma estadunidense, que sabe se expressar muito bem e domina três idiomas não pode se tornar uma ladra, estelionatária, traficante e assassina.

Apesar disso tudo, eu achei pouco o que ela fez por aí. Eu duvido que o dono da joalheria concordasse em abrir a loja fora do horário do expediente se o pedido fosse feito pela minha mãe, pela minha esposa ou por uma das minhas tias e irmãs. Quem gosta de julgar as pessoas pela aparência tem mais é que se foder mesmo.

Vejam, se quiserem, e tirem as vossas conclusões.

Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:


Parte 4:


Parte 5:


Parte 6:


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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Rio de Janeiro: Auschwitz Versão Brasileira*

Recebi hoje um email com um manifesto de um bloco de carnaval chamado Se Benze que Dá, que está capitaneando um protesto contra a construção de um muro que cerca as comunidades da Maré, localizada na cidade do Rio de Janeiro. A justificativa dada pelos governos estadual e municipal para esse absurdo é que, além de contribuir para a melhoria de vida (!) e proteger as crianças das comunidades do risco de serem atropeladas (!!), o muro servirá como "barreira acústica" (!!!). Entretanto, sabe-se muito bem que o real objetivo de tal medida é esconder as favelas do campo de visão dos turistas que visitarão a "cidade maravilhosa" durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 - além de ser uma ótima medida para aumentar a criminalização da pobreza e assim tornar mais eficaz a opressão contra os pretos, pobres e favelados da cidade, é claro.

O custo total dessa ignomínia será de R$ 20 milhões. Pergunto: se o objetivo fosse mesmo melhorar as condições de vida dos moradores da Maré, por que os governos municipal e estadual não pensaram em usar essa grana para construir escolas, postos de saúde e creches dentro da favela, além de aperfeiçoar o sistema de escoamento da água da chuva? Seria muito melhor fazer isso do que tentar empurrar a sujeira para baixo do tapete (não que eu pense que os moradores da Maré são sujeira, é claro).

Ao ver esse vídeo, eu me lembrei imediatamente das medidas tomadas pelos governos da África do Sul na era do apartheid para manter os pretos confinados nos bantustões e distantes das áreas nobres das principais cidades sul-africanas. É ou não é muito parecido?

Só falta o prefeito do Rio de Janeiro baixar um decreto exigindo que os moradores da Maré apresentem um passe aos policiais toda vez que desejarem sair da comunidade. Eu não ficarei nem um pouco surpreso se isso acontecer (se bem que, na prática, isso já acontece).

Vale salientar que isso não é coisa nova. Ainda de acordo com o manifesto divulgado pelo bloco carnavalesco supracitado, o Governo tentou fazer a mesma coisa em 2003 e 2004 como forma de "embelezar" a cidade para os Jogos Panamericanos de 2007 - mas não conseguiu. Agora, com a realização dos dois maiores eventos esportivos do mundo, parece que as autoridades cariocas estão decididas a empenhar todos os esforços possíveis para erguer essa coisa horrenda e vergonhosa que mais lembra os campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial. Com base nisso, digo que também não ficarei surpreso se o governo colocar cercas eletrificadas no alto dos muros e policiais armados em guaritas com ordem para atirar em quem tente sair da favela sem autorização, mas é claro que isso não será feito (pelo menos não tão explicitamente). Dará muito na vista.

Confiram o manifesto:

*O título deste post é uma paráfrase da música "São Paulo: Auschwitz Versão Brasileira", do grupo de rap Facção Central. Se quiserem escutá-la (coisa que eu recomendo), ela está no CD Direto do Campo de Extermínio.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Haiti: passado, presente e futuro

No dia 12/01/2010, o Haiti foi arrasado por um forte terremoto que matou por volta de trezentas mil pessoas, destruiu a já precária estrutura física do país e deixou os sobreviventes numa situação pior do que a que já estavam. Muita coisa foi dita acerca deste país e sobre as causas desta tragédia: que isso foi uma punição por conta de um pacto feito pelos escravizados com o Diabo para livrar o país da dominação francesa; consequência inexorável de uma suposta "maldição" intrínseca à população haitiana, dentre outras coisas.

Como forma de rebater todas essas merdas veiculadas na grande imprensa nacional, o Instituto Cultural Steve Biko convidou o professor Carlos Moore para dar uma palestra, realizada no dia 25/01/2010, com a finalidade de mostrar o processo histórico que levou este país caribenho a estar nessa situação de miséria generalizada em que se encontra atualmente. Durante a explanação do professor Moore, fica claro que a catástrofe social tem causado muito mais danos do que a catástrofe natural, e que o povo haitiano ainda está pagando muito caro por ter sido a única colônia americana cujo processo de independência foi planejado e executado pelos escravizados.

É uma boa pedida para quem, até hoje, só ouviu falar deste país através dos noticiários da Rede Globo e dos comentários infelizes de Arnaldo Jabor.

Segue para a vossa apreciação:



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Sobre os campos de concentração cearenses (ou "o Brasil também já foi nazista?")

Quando nós ouvimos a expressão "campos de concentração", pensamos imediatamente nas prisões criadas pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial para exterminar os "indesejáveis" da sociedade alemã: judeus, eslavos, homossexuais, ciganos... Símbolos máximos do horror causado pelos comandados de Adolf Hitler, alguns deles (Dachau, Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Bergen-Belsen, Buchenwald, Mauthausen-Gusen...) foram transformados em museus e passaram a ser visitados por pessoas das mais diferentes regiões do mundo. Imagino que deve ser bastante deprimente visitar um lugar desse, mas ter conhecimento de uma das páginas mais macabras da nossa história recente é necessário para que nós tenhamos uma noção mais nítida das misérias que uma ideia maldosa pode levar um grupo de pessoas a fazer, e a partir daí empenhar o máximo das nossas forças para impedir que isso aconteça de novo. Eric Hobsbawm, no capítulo 1 do livro Sobre História, é muito claro ao dizer que os discursos também podem causar guerras e provocar danos iguais ou até maiores do que a explosão de uma bomba atômica - e eu concordo integralmente com isso.

Portão principal do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia. No alto, vê-se a inscrição "Arbeit Macht Frei", que pode ser traduzida para o português como "o trabalho faz a liberdade".

No entanto, isso não foi exclusividade dos nacional-socialistas alemães. No Ceará, também foram criados locais iguais a esses em regiões estratégicas do agreste cearense e em algumas cidades da região metropolitana de Fortaleza. O objetivo dessa medida era impedir que os retirantes da seca (chamados à época de "molambudos") conseguissem chegar à capital cearense em busca de melhores condições de vida e, por consequência, pusesse por terra o plano das elites cearenses de "civilizar" e "modernizar" as ruas e avenidas da cidade. Vale dizer que "campo de concentração" não é um termo importado da Alemanha, mas uma denominação presente nos jornais cearenses da época (começo do século XX) e bem anterior à construção do primeiro campo de concentração nazista, localizado na cidade alemã de Dachau.

Além disso, devemos destacar que enquanto os jornais chamavam esses locais de "campos de concentração", a população concentrada chamava de "currais do governo", o que é uma clara demonstração de que as pessoas que foram lá jogadas sabiam muito bem o que estava acontecendo, quem eram os responsáveis por aquela situação, tinham total consciência dos objetivos pretendidos com essa medida e como eram vistas e tratadas - como animais!

O programa Mais Você, da Rede Globo, veiculou uma reportagem sobre isso na edição de hoje, 22/04/2010. Confiram aqui:


Eu não gosto muito das fuçanhas de Ana Maria Braga. Para mim, ela é uma mulher fútil e que não acrescenta nada na vida de ninguém; penso que há coisas muito mais interessantes que as mulheres brasileiras precisam aprender do que somente cozinhar, fazer artesanatos idiotas e assistir a entrevistas com pessoas tão vazias quanto ela. No entanto, levantei da cama hoje e assisti a essa reportagem porque o tema é interessante e revelador de uma realidade escondida por muito tempo do conhecimento público (não é por acaso que os Racionais MCs disseram para a gente ter fé porque até no lixão nasce flor). Havia lido um texto sobre o assunto há cerca de quatro ou cinco dias, e fiquei mais chocado ainda quando vi, tanto no texto como na reportagem, relatos de algumas sobreviventes dos campos de concentração brasileiros.

Vocês, eu não sei. Mas no momento em que eu vi esse vídeo, eu associei imediatamente a imagem da linha do trem próxima ao campo de concentração de Senador Pompeu com a imagem da chegada dos trens trazendo "carregamentos" de judeus ao campo de concentração nazista de Auschwitz (quem assistiu ao filme A Lista de Schindler sabe do que eu estou falando). Isso serve para nós entendermos que aqui, bem pertinho de nós, houve quem fizesse coisas bem mais odiosas e execráveis do que os nazistas, e que devemos nos olhar mais no espelho antes de falar dos defeitos e misérias que acontecem nos países dos outros. Afinal de contas, por que aqueles que criticaram tanto a postura do presidente Lula com relação aos presos políticos cubanos ficaram calados até hoje sobre o caso dos campos de concentração cearenses? Será que ninguém sabia disso?


domingo, 18 de abril de 2010

Vocês ainda acham que não há preconceito no Brasil?

Se vocês ainda acreditam que não há racismo no Brasil; leram e acreditaram em todas as merdas escritas e ditas por Demétrio Magnoli, Ali Kamel, Yvonne Maggie, Peter Fry e companhia limitada; pensam que racismo é coisa de denuncistas radicais desocupados e paranoicos do Movimento Negro (um rebanho de vagabundos que não tem o que fazer e portanto fica enchendo a paciência dos outros com essas histórias); ou coisa de gente complexada ("isso é coisa da sua cabeça"), vejam isso e depois nós conversaremos:


O mais divertido será ver os comentários (se é que alguém lê isso aqui).

Eu não gosto muito das fuçanhas de Marcos Mion, mas tenho de reconhecer que ele fez uma coisa boa dessa vez.

Inté.

sábado, 10 de abril de 2010

Considerações sobre a teimosia humana (ou quem não ouve "cuidado" ouve "coitado")

Na madrugada de hoje, um acidente aéreo na região de Smolensk (a 400km a oeste de Moscou), matou o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, a esposa dele, o presidente do Banco Central polonês e os mais altos oficiais militares poloneses (ao todo, foram 97 mortos). Todos estavam indo à Rússia a fim de prestar uma homenagem a soldados poloneses que foram assassinados pelo exército soviético em 1940 (familiares dos poloneses mortos na guerra também estavam no avião). Trata-se de um fato polêmico, que envolveu Rússia, Polônia e Alemanha, e que marcou o começo da Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção no caso não foi nada isso. Fiquei mais intrigado ao saber que, de acordo com o que foi divulgado na imprensa, a tripulação do avião que transportava o presidente polonês e a sua comitiva foi advertida pelos controladores de voo russos que as condições climáticas estavam péssimas (muita neblina), e que por isso seria mais prudente desviar a rota e aterrissar em Moscou ou em Minsk, capital da Bielorrússia (ou Belarus, como dizem). O pedido foi sumariamente ignorado pela tripulação polonesa, tanto que o piloto tentou pousar no aeroporto de Smolensk quatro vezes. Tanta insistência só poderia ter dado nisso.

Ao ouvir isso, eu me perguntei por que nós somos tão teimosos; por que nós insistimos tanto em dar de ombros para algum alerta ou aviso que as outras pessoas nos fazem. Não estou dizendo que nós devemos acreditar em tudo o que ouvirmos por aí, mas, nesse caso específico, custava escutar as recomendações dos russos e pousar em um lugar mais seguro? Custava ser mais prudente e preservar as vidas humanas que estavam dentro do avião (e a vida da tripulação também, pois ninguém conseguiu escapar vivo desse desastre)? Gente sacana, escrota e que gosta de tirar sarro da cara dos outros existe em qualquer lugar, mas eu me recuso a acreditar que os controladores de voo russos brincariam com um assunto tão sério como esse - ainda mais tratando-se de uma comitiva liderada por um chefe de estado.

Isso me lembrou do caso Gabriel Buchmann (se uma coisa tem algo a ver com a outra, eu não sei, mas foi a associação que eu fiz), aquele carioca que estava viajando o mundo inteiro com vistas a acumular conhecimento necessário para escrever a sua tese de doutorado sobre a pobreza e acabou morrendo no Monte Mulanje, no Malawi, ano passado. Guardadas as devidas proporções, Buchmann fez a mesma coisa que a tripulação polonesa fez hoje. Vejam: ele estava num lugar que não conhecia, subiu no monte sem pedir a autorização dos espíritos (os malawianos acreditam que o Monte Mulanje é habitado por espíritos, e por isso todos aqueles que querem subir o morro precisam pedir autorização a eles para entrar; os que não fizeram isso estão lá até hoje), e ainda teve a pachorra de dispensar o guia, após este ter avisado insistentemente que o dia estava ficando escuro e que portanto era mais prudente retornar à base e deixar a escalada para o dia seguinte. Como ele se recusou a fazer isso (talvez por ter pensado que todos esses costumes não passavam de "crendices atrasadas" ou por ter achado que tinha experiência suficiente para superar qualquer adversidade natural), terminou se perdendo e morrendo de frio enquanto dormia.

É por isso que eu digo: sejam humildes. Respeitem os costumes dos lugares e prestem um pouco mais de atenção às orientações das pessoas que moram lá, que vivem lá, que conhecem os hábitos da região. Não sejam ingênuos, mas também não sejam arrogantes. Se vocês estiverem num lugar desconhecido, quiserem entrar em uma selva ou fazer uma escalada e alguém disser que o tempo não está adequado, seja prudente. Pode ser que aquela pessoa esteja te sacaneando, mas vocês dificilmente terão como descobrir isso com rapidez. Na dúvida, é melhor não arriscar e checar as informações com outra pessoa.

Não pensem que o conhecimento acadêmico ou os documentários da National Geographic que vocês assistem toda semana fornecem informações que são verdades absolutas e cem por cento válidas, pois não são. Com relação ao comportamento do mar, por exemplo, eu prefiro confiar mais nas orientações de um pescador humilde a seguir as palavras de muitos biólogos ou engenheiros ambientais com doutorado no MIT ou em Harvard por aí. O biólogo e o engenheiro podem até ter bastante conhecimento técnico, mas quem conhece o comportamento das águas na prática é o pescador, pois é ele que está lá todo dia. É ele que sabe quando o mar está bom para a pesca ou a navegação. Os livros, por mais completos que sejam, nunca mostram como as coisas acontecem no mundo concreto com a mesma dimensão de quem está acostumado a ver os fenômenos de perto todo dia.

Quem não ouve cuidado ouve coitado.

sábado, 20 de março de 2010

"Emancipate yourselves from mental slavery. None but ourselves can free our minds".

Ontem, estava navegando pela internet quando vi uma reportagem sobre um amistoso que o Santos fará pela inauguração do estádio do Red Bull, Estados Unidos. Na matéria, havia um vídeo com os jogadores Robinho e Neymar convidando, em inglês, o público estadunidense a comparecer ao estádio. Detalhe: Robinho, apesar de ter morado durante dois anos na Inglaterra, falava inglês com extrema dificuldade e Neymar limitou-se somente a repetir a frase "I love you, America" várias vezes durante a gravação.

Fui à seção de comentários a fim de saber o que as pessoas haviam dito sobre o fato (de certa forma, eu já previa o que encontraria lá). Houve de tudo: gente dizendo que Robinho era idiota metido a palhaço, que ele era analfabeto, que era absurdo uma pessoa morar dois anos na Inglaterra e falar um inglês de merda daquele, dentre outras bobagens.

Pouco me interessa definir se Robinho é palhaço ou idiota (ou as duas coisas juntas). Acho que o tempo que Robinho passou na Inglaterra foi suficiente para ele adquirir uma certa desenvoltura no idioma, mas não é isso que eu quero discutir aqui. Eu quero saber que obrigação ele tem de falar inglês. Acredito que nenhum dos dois tem obrigação de falar língua estrangeira nenhuma. Muita gente achou ruim quando Robinho disse que não dá importância ao fato de não saber falar bem o idioma de Shakespeare, e que está interessado mesmo em jogar futebol e fazer gols. Porra, ele está certo! Robinho não tem obrigação e Neymar tem menos ainda, pois ele nunca saiu daqui.

Quando eu ouço essas coisas, eu fico pensando: se o jogo acontecesse aqui no Brasil, os brasileiros encheriam a paciência dos gringos para o fato de eles não saberem falar a nossa língua? Então por que raios um brasileiro têm de saber falar a língua deles? Afinal de contas, Robinho e Neymar irão aos Estados Unidos para jogar uma partida de futebol ou dar uma palestra em Harvard? Vão para o inferno, rebanho de colonizados!! Quando um estadunidense vem ao Brasil, ele pouco se importa com o fato de não saber falar português (e ninguém faz deboche com isso). Eles falam a língua deles e nós que nos fodamos para arranjar um tradutor. Se é assim, nós temos de fazer a mesma coisa: ir ao país deles e falar a nossa língua. Se eles quiserem entender o que nós estamos falando, eles que arranjem tradutor também. O nome disso é princípio da reciprocidade.

Não estou dizendo que nós, brasileiros, não devemos dominar uma ou mais línguas estrangeiras. Muito pelo contrário. Devemos, sim, até porque o domínio do inglês, do francês, do espanhol, do alemão, do italiano e outras são critérios de poder aqui no nosso país. Os branquinhos de classe média conseguem mais bolsas de intercâmbio do que nós porque sabem falar vários idiomas, coisa que nós, devido à educação pública precária e as nossas dificuldades financeiras, não sabemos. Além disso, passamos a ter acesso a conhecimentos mais variados quando lemos e conversamos em outras línguas.

Eu só quero que nós nos libertemos desse famigerado colonialismo mental. Em outras palavras, se nós somos obrigados a falar inglês para entrar nos Estados Unidos, nós também devemos exigir que os estadunidense aprendam português para entrar no Brasil. Podem dizer o que quiserem a meu respeito, mas só quem já saiu do país sabe do que eu estou falando. Eu já saí (passei quatro meses nos EUA), e portanto sei muito bem como o pessoal de lá vê aqueles que não falam bem o inglês.

Só seremos respeitados quando soubermos valorizar mais o que é nosso – o que não significa desprezar tudo o que vem de fora, é claro.