segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Violência e alimentação.

Confesso que fiquei assustado após ter assistido a esse documentário. Até hoje, eu nunca tinha visto nada de forma tão direta - e impactante - sobre a questão da alimentação, em especial sobre o consumo de carne.

Não vou induzir a opinião de ninguém. Vejam e tirem as próprias conclusões, se quiserem:

Parte 1:

Parte 2:

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

As sutilezas do racismo

Como bem disse o antropólogo e professor da USP Kabengele Munanga, o racismo não é algo facilmente detectável a olho nu. Para notá-lo, é preciso ter muita atenção e preparo intelectual porque nem sempre (ou quase nunca) os racistas têm a coragem necessária para falar na cara o que pensam sobre os pretos, os africanos e afrodescendentes espalhados pelo mundo.

Ontem, em meio à desgraça causada pelo terremoto que devastou Porto Príncipe, que matou, dentre várias outras pessoas, a fundadora da Pastoral da Criança, Dra. Zilda Arns Neumann (a quem eu quero manifestar o meu pesar), o cônsul do Haiti no Brasil, George Samuel Antoine, deu uma entrevista ao SBT com declarações ultraofensivas ao povo haitiano. Disse ele que "a desgraça lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido", que o terremoto pode ser causado pelo fato de os haitianos "mexerem tanto com macumba", e, para completar, disse que "o africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano está fodido".


Eu não sei o que foi pior: o cônsul do Haiti ter dito todas essas merdas acerca da afrodescendência da população haitiana ou a repórter Helaine Cortez ter tentado minimizar as declarações desse racista asqueroso ao dizer que "com tanto sofrimento, não é possível que o cônsul pense mesmo no que falou. Ele só pode estar tão abalado quanto as famílias e em busca de conforto espiritual para a tragédia"

Boa maneira essa de buscar conforto espiritual após uma tragédia!! Já passei por alguns momentos difíceis na vida (nenhum deles tão grave quanto esse que o povo haitiano está sofrendo, é claro), mas que direito eu teria de ofender outras pessoas por causa disso? E mais: que direito eu teria de agredir as religiões de matriz africana ao imputá-las a responsabilidade por tamanha desgraça a um país já bastante massacrado pela miséria?

Ele não pensou no que disse o cacete!! Essa excrescência humana sabia muito bem o que estava dizendo. É muito fácil ofender alguém e depois dizer que fez isso porque estava de "cabeça quente", que "estava muito abalado" e que, portanto, "não sabia o que estava dizendo". Esse sujeitinho só falou isso porque tinha certeza de que não estava sendo gravado. Pois se ele desconfiasse que a câmera estava ligada, jamais teria dito o que pensa sobre os africanos e os afrodescendentes.

Boris Casoy fez a mesma coisa ao humilhar publicamente os trabalhadores da limpeza pública da cidade de São Paulo que deram uma mensagem de Feliz Ano Novo no dia 31/12/2009. Se ele sonhasse que o microfone dele estava ligado, ele jamais teria dito o que pensa acerca dos garis. Entretanto, o que poderíamos esperar de um homem que hoje posa de paladino da democracia, mas que no passado apoiou a ditadura militar ao fazer parte do Comando de Caça aos Comunistas? Quem quiser tirar as próprias conclusões, clique aqui.

Declarações como essas me revoltam, mas não mais me surpreendem porque os covardes são assim mesmo: só atiram pelas costas.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Piada de mau gosto

Um dos instrumentos mais poderosos a serviço do racismo são as piadinhas. Digo isso porque o riso é um sinal de aceitação, isto é, tendemos a aceitar e naturalizar aquilo que nos faz rir. E é justamente aí que o racismo mostra a sua faceta mais tenebrosa. Afinal de contas, quem nunca ouviu uma pessoa dizer por aí coisas do tipo "branco correndo é atleta, preto correndo é ladrão"; "branco vestido de branco é médico, preto vestido de branco é macumbeiro"; "branco subindo montanha está praticando esporte radical, preto subindo montanha está voltando para casa"?

Confiram essa piadinha de péssimo gosto que recebi por email. Leiam e tirem as suas conclusões, se quiserem:



Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas..


Leiam relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar R$5,00 de troco, mas ela não se
convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que
foi assim:


1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00.. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.(Se você é afrodescendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder)
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Manifesto Porta na Cara

E depois os apologetas da democracia racial ainda dizem que não existe racismo no Brasil.

Segue para a vossa apreciação.

domingo, 15 de novembro de 2009

O racismo nosso de cada dia

Minha mãe costuma dizer que há muitas coisas na vida em que nós só acreditamos depois de ver. Por outro lado, há coisas que nem depois de ter visto nós conseguimos acreditar.

Recebi este "convite" pela internet hoje. Trata-se de um evento organizado pelo SESC Madureira, do Rio de Janeiro, pela passagem do Mês da Consciência Negra.

Não vou falar nada. Leiam e tirem as vossas conclusões, se quiserem.


Prezados,

O SESC Madureira desenvolve o projeto “Arte de Encontrar “que tem como proposta a prática de parcerias entre comunidades populares, instituições públicas, privadas e do terceiro setor. O projeto valoriza o potencial criativo de crianças e jovens de diversas comunidades, propiciando a troca de experiências .

O próximo encontro ocorrerá no dia 17/11/2009 a partir das 14:00h. Este mês com a temática “Consciência Negra”: conversando sobre a cultura “Banto”, com os historiadores Walter Nkosi e André Lemba; apresentações de danças afro e café servido por mucama, lembrando os áureos tempos coloniais. As instituições poderão participar ativamente apresentando suas produções artísticas, mediante inscrições prévias ou assistindo ao evento.

Contamos com a sua presença!

SESC MADUREIRA

Rua Ewbanck da Câmara, 90. Tels: 3350-1855 e/ou 3350-4536

E-mails: Madureira.comunidad e@sescrio.
org.br e/ou Madureira.terceirai dade@sescrio. org.br

Equipe Comunidade/Terceira Idade

Att
Roberta Vieira
robertasantos@
sescrio.org. br
3350-1855

os parceiros confirmados: Novembro

Música e Dança:

ACAP'S (com apresentação de dança); apresentará três números de dança, trazendo 10 crianças para atuarem.

Expositores:

Waldecyr Rosas (Arteiros)
Vera Lúcia (GFACGR)
Margarida Feitosa (iniciante)
Heronildes (Instituto consciência&companhi a)

os parceiros confirmados: Dezembro

Música e Dança:

ACAP'S
a.. Apresentará números de dança (circo, dança e Hip hop), trazendo 50 crianças para atuarem;
b.. Trará oficina de Hip hop
c.. Estamos tentando fechar, oficina de corte de cabelo

Expositores:

Waldecyr Rosas (Arteiros)
Vera Lúcia (GFACGR)
Margarida Feitosa (iniciante)
Heronildes (Instituto consciência&companhi a), com possibilidades de contarmos com mais expositores vinculados a unidade.

Obs: Gostaría de contar com a colaboração de todos, no sentido de abrangermos mais e mais nossos encontros. E ressaltar que estamos aceitando sugestões para os próximos encontros.

Aguardo retorno!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma constatação.

"É só receber um afago, e o povo logo se esquece das chibatadas".

Vamos tomar vergonha na cara, minha gente. Enquanto nós continuarmos agindo dessa forma, nada mudará nessa merda de país.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobre os pagodeiros baianos e a sua suposta falta de "cultura musical".

Para quem ainda pensa que pagode é "baixaria"; que os pagodeiros não estão antenados com que estão acontecendo no mundo da música; que o pagode baiano só deprecia a imagem da mulher (não estou dizendo que isso acabou, é claro); que acham que o pagode não pode ser usado para mandar mensagens positivas para as pessoas e fazer crítica social; ou que pagodeiro não tem cultura musical (seja lá o que isso signifique), esse texto é uma boa resposta.

Não copiei e colei o texto aqui porque não tenho autorização da revista que o publicou para fazer isso. Se fizesse, fatalmente seria processado.

Leiam e tirem as vossas conclusões, se quiserem.