quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sobre os pagodeiros baianos e a sua suposta falta de "cultura musical".
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O caso da "puta" da UNIBAN
Fiquei tremendamente surpreso - e revoltado - com o fato de outras mulheres estudantes da UNIBAN terem se divertido com o fato e ainda gritado "puta! puta! puta!" quando a moça passou pelos corredores da faculdade escoltada por policiais. Pensei: que loucura! O que poderia ter acontecido com essa moça poderia também ter acontecido com qualquer uma delas. Afinal de contas, elas também são mulheres.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Causa mortis: racismo
Sempre digo aos meus estudantes que apesar de lermos sobre casos de racismo, preconceito, violência e congêneres, assistir a reportagens, filmes e documentários, e debatermos sobre o assunto, tendemos a pensar que essas coisas estão meio que distantes de nós. Não sei como nem por que isso acontece, mas o fato é que pensamos que isso jamais nos atingirá, pois numa produção televisiva ou numa matéria jornalística o evento parece frio, distante, e talvez seja por isso que pensamos dessa forma. Entretanto, estamos totalmente enganados, pois o preconceito, o racismo, a homofobia, o desrespeito às manifestações religiosas e outras formas de agressão correlatas estão muito mais próximos do que nós imaginamos.
Há muito tempo, comecei a fazer um esforço para deixar de pensar assim. Tenho tentado imaginar que tudo pode acontecer comigo, pois só desta forma eu poderei tomar os meus cuidados para não ser vítima de uma desgraceira qualquer. Entretanto, nem sempre consigo – afinal de contas, também sou humano.
É sempre assim. Toda vez que nós denunciamos e protestamos contra um preconceito por demais naturalizado em nossa sociedade, sempre aparece alguém para minimizar a situação. No caso do racismo, é comum ouvirmos coisas do tipo "foi uma brincadeira", "eu não falei isso para te ofender", "você está com mania de perseguição", "você é muito radical", "agora ninguém pode falar mais nada contigo porque tudo é racismo pra você", dentre outras coisas. O racista costuma falar as merdas dele como se fosse a coisa mais natural do mundo, e quando nós nos rebelamos contra isso ele ainda se dá de ofendido!! Trocando em miúdos, o racista nos agride e o errado somos nós porque protestamos contra a agressão.
Quando eu falo do alto poder de letalidade do racismo então, sou chamado de exagerado na hora. “Afffffffffff, Rogério!! Que exagero!! Você também, viu? Aparece com cada uma!!”
Há duas semanas, um fato trágico ocorrido no bairro onde eu moro mostrou mais uma vez o poder devastador do racismo. Um adolescente de 14 anos, tido como branco pela família, começou a namorar uma menina preta. Ao saber disso, os familiares não aceitaram o relacionamento e, para dissuadi-lo, começaram a encher a cabeça dele com os preconceitos mais odiosos que se pode imaginar: a mãe dele disse que não queria que ele "sujasse a família"; que ele "namorasse uma neguinha"; que se ele engravidasse a namorada, o filho fatalmente nasceria com "cabelo ruim", e por aí vai.
O menino se viu tão atordoado e pressionado pela família por causa disso, que tomou uma medida drástica: comeu chumbinho e se matou.
Ao saber disso, eu fiquei pensando como a namorada desse cabra está arrasada. Se não for feito um trabalho sério (e rápido!), ela certamente não conseguirá relacionar-se com mais ninguém. Será uma pessoa fadada ao fracasso sentimental. Tudo porque ela é preta, e a família do namorado dela não queria que ela “manchasse” a vida do rapaz. O racismo fará com que ela pense que o problema está nela, pois normalmente é isso que acontece.
Houve quem dissesse que a família do suicida está sentindo um profundo remorso por causa do desfecho trágico do caso. Eu não acredito nisso. Apostaria que a mãe desse adolescente está colocando esse fardo nas costas da menina, ou seja, chegou para ela e disse o seguinte: “a culpa é sua!! O meu filho morreu por causa de você”. Tudo para que a menina se desespere e faça a mesma coisa que o namorado dela fez.
O que mais me revolta nisso tudo é saber que se alguém perguntar à mãe desse rapaz se ela é racista, ela dirá que não. Mas afinal, quem é racista nesse país?
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Boicote ao filme Os Normais 2
|
sábado, 22 de agosto de 2009
Um desabafo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O "jeitinho" inglês (ou o Brasil não é uma maravilha, mas também não é a lata de lixo do mundo).
Hoje, um mês após o crime, elas foram julgadas e condenadas a um ano e cinco meses de prisão, mas a pena poderá ser convertida em prestação de serviços à comunidade. Os passaportes das duas estão retidos pela polícia desde o dia em que as duas foram presas, mas a defesa entrou com um pedido de liberação dos dois documentos na justiça. Resta saber se elas permanecerão no Brasil para cumprir a pena caso os passaportes sejam liberados (o que vocês acham?).
O que mais me revoltou foi a reação de algumas pessoas demonstrada na seção para comentários da matéria. Algumas pessoas disseram que a pena foi “muito dura”, que “não havia necessidade de tanta rigidez”; houve um que disse que acha temerário que essas inglesas prestem serviços comunitários aqui no Brasil; “por que não se faz uma operação padrão igual a essa no Senado?” Esses foram alguns dos impropérios disparados lá.
Eu fiquei pensando cá com os meus botões: “brasileiro é muito idiota mesmo”. Quanto sentimentalismo barato! Estão com peninha? Levem-nas para as vossas casas. A justiça brasileira está corretíssima ao ter condenado essas duas golpistas. Se duas brasileiras tivessem feito isso na Inglaterra, elas já teriam sofrido o diabo nas mãos da polícia inglesa; a essa hora, estariam presas na cadeia mais imunda da Inglaterra, incomunicáveis e sofrendo todo tipo de tortura física e psicológica – isso se já não estivessem mortas, é claro.
Aliás, os brasileiros nem precisam cometer crimes para serem maltratados lá. Até onde eu sei (corrijam-me se eu estiver errado, por favor), não é necessário tirar visto para entrar na Inglaterra. É um oficial do serviço de imigração inglês que decide se nós podemos entrar no país ou não. Isso quer dizer que se eu chegar ao aeroporto de Londres e o oficial for com a minha cara, eu serei autorizado a entrar. Caso contrário, eu terei de pegar os meus paninhos de bunda e voltar para o Brasil – ainda que a minha documentação esteja toda regularizada.
Casos de abuso da polícia inglesa contra brasileiros não faltam. No momento, só me lembro de dois: uma mulher (não me lembro de onde) que passou anos juntando dinheiro para pagar um intercâmbio de curso de inglês em Londres, mas teve de voltar para o Brasil porque o policial simplesmente não foi com a cara dela, e outro de uma menina do interior da Bahia (esqueci de qual cidade) que foi fazer turismo e foi tratada pior do que um cachorro pelos policiais. A coisa foi tão grave que a menina menstruou enquanto esteve presa no cubículo onde foi posta no aeroporto e os canalhas não permitiram sequer que ela fosse ao banheiro para se limpar e trocar o absorvente. Quem souber de mais algum exemplo, que se manifeste.
Outras pessoas ficaram penalizadas pelo fato de as duas pilantrinhas de meia-pataca terem ficado presas durante seis dias na penitenciária feminina de Bangu e sido condenadas a um ano e cinco meses de cana. Oooooh, meu deus! Coitadinhas das pobrezinhas!! E o que aconteceu com Jean Charles lá no metrô de Londres, cambada, vocês já esqueceram? O cabra era inocente, não tinha nada a ver com a situação, mas levou sete tiros na cabeça em uma ação atabalhoada da Scotland Yard (considerada a melhor polícia do mundo [eu nem quero imaginar como é a pior]) só porque foi confundido com um terrorista. Bem que os policiais poderiam tê-lo prendido e averiguado os fatos, mas preferiram matá-lo para dar uma resposta rápida à sociedade inglesa, atônita com os atentados à bomba no metrô de Londres. Bem que os mais experientes dizem que memória de brasileiro é curta.
Não podemos esquecer também o caso de Ronald Biggs. Um ladrão safado, que assaltou o trem-pagador britânico em 1963, fugiu da cadeia, veio para o Brasil, rapidamente descobriu que estrangeiro que tem filho brasileiro não pode ser extraditado, e por isso emprenhou a primeira que passou pela frente dele para gozar desse benefício. Resultado: ficou aqui no Brasil durante mais de trinta anos, tirando onda de bon vivant, e só retornou à Inglaterra por livre e espontânea vontade em 2001 porque estava doente e sabia que não teria direito a tratamento médico aqui no Brasil.
Eu só espero que o caso dessas duas golpistazinhas inglesas sirva para que nós paremos de pensar e dizer por aí que gente pilantra, trambiqueira, que gosta de levar vantagem em tudo só existe aqui no Brasil; que o Brasil é o “país do jeitinho”. Gente, o “jeitinho” não é brasileiro, e sim mundial.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Sobre as tentativas de reinclusão da Bahia no horário de verão
De um lado, estão os empresários baianos que dizem que a permanência da Bahia fora do horário de verão traduz-se em “sérios prejuízos à economia da Bahia” (leia-se: redução dos seus lucros). Isso porque há uma hora a menos para realizar operações de câmbio; muita gente perde os voos devido à diferença de horário em relação ao horário de Brasília; as pessoas têm sempre uma hora a menos de expediente bancário, dentre outras coisas. O empresariado esperneou, gritou, deu chilique, mas felizmente não conseguiu sensibilizar o governador Jaques Wagner. Resultado: a Bahia continuará fora do horário de verão “em solidariedade aos outros estados do Nordeste”, nas palavras do governador.
Do outro, está a população (e é justamente isso que me deixa mais puto da vida). Sempre nos final de agosto e começo de setembro, as emissoras de TV baianas saem às ruas para saber a opinião do público sobre o assunto. As respostas são sempre as mesmas: “ah, eu acho que o horário de verão deveria voltar porque assim a gente não perde a novela”; “o horário de verão é bom porque a gente fica com uma hora a mais para aproveitar o sol”; “com o horário de verão é possível ficar uma hora a mais na praia tomando cerveja com os amigos”. Citarei somente esses exemplos para não ficar chato.
Eu fico mais puto ainda porque ninguém me entrevista. Sei muito bem que as emissoras de TV cortariam a minha resposta na hora de editar a fita, mas seria um grande orgasmo mental dizer o que eu penso a esses repórteres idiotas.
Ver os empresários reivindicando o retorno do horário de verão é compreensível, pois eles só estão preocupados com os seus interesses capitalistas, ou seja, eles só querem encher os seus bolsos de dinheiro e o resto que se foda. Entretanto, ver e ouvir o povão, a população, a “plebe rude” defendendo isso é de matar! Custa-me a acreditar que alguma pessoa seja capaz de dizer tamanha sandice.
O horário de verão só é bom para quem pode dar-se ao luxo de acordar às 10h e possui carro. Pois para quem mora na periferia, acorda às 5h, anda 700m até o ponto mais próximo e tem de esperar o ônibus sozinho num ponto escuro, sem segurança, rezando para que o buzu chegue antes do ladrão, adiantar o relógio em uma hora é uma desgraça. Sem contar os transtornos físicos causados: comer fora do horário que já estamos acostumados, dores de cabeça (quando a Bahia ainda estava inclusa, eu sentia fortes dores durante os três primeiros dias), distúrbios do sono... A lista de problemas é interminável.
Em suma, não vale a pena passar por tanto tormento em prol de uma economia de energia irrisória. Num país como o Brasil, existem formas muito mais inteligentes de poupar eletricidade do que adiantar o relógio em uma hora. Conter o desperdício e utilizar fontes alternativas e limpas já ajudam bastante.